Cantos e Toques na Umbanda

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Cantos e Toques na Umbanda
25 setembro, 2015

Por: Severino Sena

CATEGORIA MÚSICAS

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O Ogã, dentro da Casa, é o segundo poder. O primeiro poder é o dirigente da Casa de Umbanda e o Ogã sempre vai tocar o que é determinado pelo dirigente. Dependendo do dirigente, os Pontos são diferentes já que os mesmos são direcionados ao Guia-chefe do mesmo. No caso daqui, por exemplo, onde temos Pai Rubens, Mãe Alzira e muitos Pais pequenos que aqui trabalham, eu, Severino, como Ogã, toco para todos eles, mas o primeiro canto sempre é direcionado ao comando da Casa e depois ao comando daquele dia específico de trabalho.
Tenho que estar afinado com o Senhor Arranca-Toco, Senhor Pena Verde e outros Guias espirituais que estão no comando. Desde o início dos trabalhos, abertura, defumação, etc, o Ogã deve direcionar o canto para a
Linha que vai trabalhar naquele dia. Existem várias formas de se trabalhar nas diferentes Casas de Umbanda. O Ogã está lá para cantar e tocar o Ponto certo para movimentar energias dentro daquele trabalho.
Em geral, forma-se um conjunto com três atabaques e seus nomes foram herdados do Culto de Nação. São três atabaques de tamanhos e sons diferentes. O maior chama-se Rum e tem o som mais grave. O médio chama-se Rumpi e o menor deles, com o som agudo chama-se Lê (que é igual a mi). O número de atabaques pode variar de Casa em Casa, mas existe uma ordem porque cada um deles possui a sua afinação; porém, o comando está no Rum. Então, podemos afirmar que o Rum é o atabaque direcionado ao comando.
Saudação aos Atabaques: Também existe uma hierarquia ao se fazer a saudação aos atabaques. Primeiro fazemos a saudação ao Rum, logo após o Rumpi e por último saúda-se o Lê.
Todo Ogã é considerado um Pai no Centro de Umbanda. Todos os cantos, todos os toques são importantes no trabalho, desde a abertura até o encerramento dos trabalhos. Para ilustrar a importância do Ogã a vocês, devo dizer que o mesmo está sempre observando tudo, do início ao encerramento dos trabalhos e isto é uma de suas funções para que tudo transcorra dentro da mais perfeita ordem, harmonia, de acordo com o dirigente da Casa. Vou citar um exemplo:
No início de um trabalho desta Casa notei um irmão que estava no meio dos médiuns presentes e me causou certo incômodo e, sem que eu dissesse nada, já na defumação, Mãe Alzira se dirigiu a ele e o retirou da Gira porque estava alcoolizado. O Ogã tem o poder de levantar ou de acabar com um trabalho.
Palmas: Podem ajudar “pra caramba” e atrapalhar “pra dedéu”. Se estiver somente cantando, as palmas ajudam. Às vezes, porém, com o atabaque, as palmas atrapalham porque muitas pessoas juntas, sem educação musical possuem ritmos diferentes e podem comprometer o trabalho do Ogã. O Ogã tem que estar ligado a tudo que acontece durante os trabalhos, por isso mesmo ele encontra-se num piso um pouco mais elevado e vai observando tudo que se passa.
Eu pessoalmente prefiro que cantem e dancem e eu mantenho o tempo musical.
O Ogã deve ter noção, desde a abertura e defumação, do tamanho do Terreiro, pois para se defumar algumas pessoas ele necessita apenas de um canto, mas para se defumar duzentas, trezentas, quatrocentas pessoas como aqui, ele deve ter mais de um canto, porém todos eles devem seguir o mesmo toque. Pode-se mudar o toque na hora que a defumação sair da linha dos médiuns para os assistentes.
O Ogã tem que estar alinhado com os Guias do dirigente e isso tem que ter endereço certo para chegar onde se deseja chegar. Todos os Pontos são direcionados em cima de acontecimentos e o Ogã movimenta energia do primeiro ao último trabalho, cantando para Senhor Arranca-Toco, Senhor Ogum Beira Mar, etc.
Existe uma grande diferença entre tocar atabaque e bater atabaque. Vemos muitas pessoas que ficam feridas e mal após “bater atabaque”. Por ignorância não observam a altura do mesmo e batem, literalmente, com as mãos nos ferros ou na madeira e se ferem. Outro ponto a observar é que pessoas muito altas têm que ficar tortas, curvas para tirarem som dos mesmos e dizem depois que o trabalho estava “pesado” quando na realidade estavam mal posicionadas. Tudo é questão de aprendizagem. Observem a distância e a altura dos atabaques em relação ao Ogã.
Todo canto e toque são importantes porque têm poder de realização. Para tocar atabaque observem:
1) Distância do atabaque
2) Altura do atabaque
3) Ogã: deve dosar as energias para chegar ao término dos trabalhos que duram por vezes mais de 3 horas.
O Ogã, normalmente, não é médium de incorporação. Porém, na Umbanda, muitos Terreiros são na Casa das pessoas e os médiuns de incorporação tocam e depois incorporam e vão dar passes.

Outro aspecto do Ogã na Umbanda deve-se ao fato de que mulheres podem tocar. Em trabalhos de Nação isso não é permitido. Por quê? São lendas e lendas e não sabemos ao certo a razão disto.
Tocamos diferentes toques para o mesmo Orixá. Na Umbanda temos, por exemplo, vários toques para Oxum. Tem música que é Ijexá e tem Congo também.
Em cima de cada toque temos uma variação imensa. Temos congo de ouro, congo nagô. O fato de se usar três atabaques dá uma variação maior ainda e os contra tempos devem ser feitos no mais agudo deles. Temos ainda toques bem determinados para mamãe Oxum na África e na Bahia, onde usam afoxé, que deve usar dois atabaques para ser bem correto. Temos na Bahia, nos “Filhos de Gandhi” o ritmo bem marcado com agogô.
O correto é que o Ogã estude porque ele é um médium também, diferente do incorporante e deve buscar informações para um melhor desempenho na sua função, mesmo porque tocar e cantar ao mesmo tempo não é fácil. Em Centros de Umbanda, além de tocar, cantar e observar tudo que se passa no Terreiro, o Ogã muitas vezes dá informações rotineiras durante os trabalhos.
Uma pergunta comum que recebo é a seguinte: – Como se descarrega um atabaque?
Resposta: – Não se descarrega um atabaque!
De acordo com o Guia chefe da Casa o atabaque pode ter firmeza nele, pode ter fitas, Ponto Riscado, etc.
No início da Umbanda não havia toda essa parte musical muito desenvolvida, mesmo porque Pai Zélio de Moraes [fundador da Umbanda] seguia uma orientação espírita, de acordo com sua formação. Nós umbandistas devemos saber o que estamos fazendo e por que as coisas acontecem. Devemos saber conversar e sustentar qualquer diálogo a respeito de nossa religião.
A religiosidade deve ser construída, pois ninguém nasce pronto. Tem que aprender, se aperfeiçoar, porque isso faz parte de nossa evolução.
Texto-Resumo de aula proferida por Severino Sena aos alunos do curso de Doutrina, Teologia e Sacerdócio do Colégio de Umbanda Pai Benedito de Aruanda, no dia 8 de junho de 2011

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