Umbanda: Preconceito e ignorância

Um texto que todo umbandista deveria de ler. Com meus profundos respeitos à autora Ana Araújo.
Saravá nossas bandas em amor e luz
Semíramis Alencar

Fonte – Comunidade Facebook Umbanda é o caminho
Umbanda: Preconceito e ignorância

Sabemos que nossa realidade é de preconceito. Quantos de nós, Umbandistas, já fomos discriminados por nossa religião? Quantos de nós, pode ter perdido vaga de emprego, amigos virtuais e “reais”, ser tachado disso ou daquilo, ser encarado com maus olhos e o pior de tudo, ser rejeitado pelos próprios familiares pelo simples de sermos Umbandistas, ou de algum tipo de religião afro-ameríndia.

É bastante compreensivo essas posturas quando partem de pessoas leigas que não são influenciadas, claro, por nenhum credo atual e sim por sua formação socio-religiosa desde sua infância.

Mas existe outra “doutrinação”, principalmente dos evangélicos e protestantes, pois estes recebem todos os dias uma lavagem brutal de que nossos cultos são do diabo e portanto somos maléficos, e estes aceitam sem questionar, nem pestanejar. São bois, sendo tocados por um berrante. antiga e tão nociva quanto, que é da construção sócio-cultural do povo brasileiro. Fomos formados mentalmente dentro do cristianismo católico que também nos fez crer que tudo o que não era católico e não segue os ensinamentos de Jesus, é ruim e coisa do diabo.

Está internalizando em nós, mesmo que não praticantes do catolicismo e que não seguem nada, a noção de pecado, de céu e inferno, de diabo, demônio, purgatório, pecados mortais, etc. Porque mesmo que nunca tenhamos sido um católico praticante, nossa mãe, pai repassou tais conceitos no dia a dia de nossa criação. Então é algo internalizado desde nossa formação como ser humano. E pra quebrar esses conceitos distorcidos e pré-conceituosos, é muito difícil.

Só quando realmente quando adultos, nos permitimos conhecer, saber, questionar e entender do que estão afinal falando, pois comprei uma ideia pronta, mas será que é isso mesmo? É claro que não. Nem precisamos ir num Terreiro de Umbanda pra saber que desde os primórdios do catolicismo, ele tratou de postular com veemência e incutir na cabeça das pessoas que tudo que fosse contra aos princípios e crenças da igreja era errada e coisa demoníaca.

Não vamos esquecer das atrocidades que a igreja promoveu com família inteiras, aldeias, pelo simples fato de não seguirem os princípios católicos. E até mesmo pelo simples gesto de usar da medicina natural em emplastos, chás, unguentos, era visto como atos de bruxaria. Na verdade, a Igreja promoveu a grande caça ás bruxas durante as cruzadas e fora delas, associando ícones das crenças pagãs (não católicas) como demônio, bruxas, feiticeiras e práticas demoníacas. Na verdade essas pessoas eram simples camponesas, que viviam em contato com suas próprias crenças deixadas por seus antepassados, ligadas as forças da natureza, aos ciclos naturais e estações do ano, a colheitas, e não adoradores de Satã.

Essas crenças, infelizmente foi passada e repassada pelos tempos, e todas as religiões e crenças não cristãs que cruzava o caminho da Igreja Católica, era colocada como demoníaca. No tempo da escravatura, Exu foi associado ao Diabo, assim como o Deus Pagão Cornífero, o foi. Simples não? É fácil colocar tudo o que é contra nós, como algo ruim que irá lhe causar danos, fazer-lhe mal. E hoje em dia aos leigos que não seguem religião alguma, pegando um conceito aqui e ali de orelhada; discrimina, repele, repete o que outros disseram, abomina ou tem medo, mas não sabem ao certo do que tem medo. Só porque uma voz lá dentro da sua cabeça diz que isso não é coisa de Deus, coisa boa, que faz o bem. São as programações mentais que o meio faz conosco. E aceitamos. Mas a partir do momento em que paramos para pensar por si só, a questionar, e refletir e buscar conhecimento, fundamentos das coisas, separar cada coisa em seu lugar, a verdade vem a tona! Mas enquanto aceitamos essas programações mentais internalizadas em nós como um chip implantado em gado, seremos conduzidos como gado pela massa dominante. Pare, observe, se pergunte, informe-se e se permita sentir!

Dentro de todas as religiões existem bons, ótimos, ruins e péssimos sacerdotes e adeptos. Assim como em todas elas, existem ladrões, charlatões, usurpadores e marginais. Pastores que roubam dinheiro do rebanho, padres pedófilos, Pais de Santo charlatões e aproveitadores da fé alheia , que usurpam o dinheiro alheio com falsas promessas. E por isso essas religiões são ruins? Não. Jamais será por causa de um ou uns adeptos que a religião A ou B será ruim ou maléfica.

E como saber sobre a Umbanda? Como identificar um terreiro sério que pratique mesmo a Umbanda?

Primeiro é preciso que os leigos entendam que nossa religião não tem uma coesão em seus rituais, pois temos matrizes de antepassados diferentes, e nossa crença é norteada pelos antepassados que vem aos terreiros como Pretos velhos, Caboclos, Boiadeiros, e por isso muitas casas tem rituais diferentes de outros. Mas existem algumas premissas que devem permear todos os segmentos no que tange filosofia. Uma casa de Umbanda não pode colocar preço na fé, ou seja, não pode se negar a ajudar alguém porque cobrou um valor e a pessoa não tem. O atendimento das entidades não pode ser cobrado; premissa 1 e máxima da UMBANDA. Algumas casas pedem um valor de ajuda, simbólico, e que cada um leve seu próprio material no caso da execução de um trabalho. Alguns chamam de lei da salva, mas isso deve ser dentro dos limites que a pessoa possa dar e não pode ir pra conta bancária do Sacerdote, mas sim para o Terreiro, e se a pessoa não puder, uma casa digna de Umbanda não pode se negar a atender quem está de fato precisando.

A Umbanda que me foi passado pela minha mentora Espiritual, é uma Umbanda de amor ao próximo, perdão e auxilio em quaisquer situação. Não julga ou se nega a ajudar por julgar alguém como errado ou de caráter duvidoso. A Umbanda que aprendi é uma Umbanda de luz que não faz trabalhos para derrubar ninguém, matar, destruir, ou interferir no livre arbítrio de outrem. Portanto não faz amarração. Não mata amante de ninguém, nem incapacita algum adversário em cargos de emprego. Não promove vinganças, discórdia entre família, não levanta calúnias, nem promove a guerra entre as pessoas, mas a paz. E se muitas vezes recebemos em nosso terreiro alguém vítima de ataques sistemáticos de outrem, podemos fazer trabalhos para retirar, afastar e bloquear o ataque, mas não fazer nada para destruir tal pessoa. Esta, precisa muito mais de luz, do que sua vítima e não ser destruída, e uma casa bem orientada, com espíritos sábios, ajudam também o obsessor e não só seu obsedado.

As pessoas leigas, neófitos perguntam muitos sobre sacrifícios. É prática comum nos Terreiro de Umbanda e dependendo da escola, raiz e dos antepassados que norteiam uma casa pode haver imolação de aves. Esse é um ponto muito discutido e controverso, mas n vou me apegar nisso para apontar o dedo pra casa de um irmão que pratica o corte e dizer “não, você não é de Umbanda”. Jamais! Porém, quem faz, tem que saber fazer e porque está fazendo.

Casas que praticam sacrifícios aleatórios, sem a menor necessidade, ou ritualística não está de acordo com uma filosofia de preservar e respeitar a natureza. Existem regras filosóficas, digamos assim, para se executar um sacrifico. Primeiro que essa prática surgiu a séculos atrás com nossos ancestrais, e não estou fazendo menção a Bíblia no primeiro testamento, já que não se pode usar um argumento para justificar uma prática sua, de uma fonte que não pertence a sua religião. Tal prática era feita na África praticamente desde que o homem passou a reverenciar o sagrado. Mas a caça deve ser consumida pela comunidade, como nossos antepassados faziam e jamais, em tempo algum, se jogar a carne da caça joga, como se lixo fosse! Nos tempos mais contemporâneos as imolações passou a serem feitas pelo simples fato de se precisar da carne para consumo num dia de festa, louvor e reunião das comunidade de terreiro. Como há décadas atrás não se achava carne assim em qualquer esquina, as pessoas tinham pequenas criações no quintal mesmo de galinhas, e muitas dessas, eram imoladas dentro de um ritual para ser consumida sua carne e servida para todos. Pois faz parte da dinâmica de um Terreiro seja de Umbanda, Candomblé, Omoloko é reunir a família para louvar nossos antepassados em grandes festas, compartilhando a bebida, a comida e a carne!

Mas em rituais mais modernos, vejo muita banalização desse ato do sacrifício, matam para agradar entidade A ou B, matam como forma de barganha “tem que me dá um cabrito pra eu te dar o que você quer”…. bom , aí devo dizer que eu desconheço que isso seja um ato de Umbanda. Não pelo ato de imolar, mas por barganhar troca de favores as custas da vida de um animal. Que tipo de espírito é esse? Não julgo quem imola, mas quem o faz, deve fazer com conhecimento de causa e dentro dos fundamentos que os envolve. Pois acima de tudo, a UMBANDA deve respeito a natureza, já que ela é visceralmente ligada ao culto das forças da natureza.

E indo um pouco além…. assim como o sacrifício humano foi proibido na África, se não me engano somente na década de 40, deveria ser proibido aqui também o sacrifício de animais silvestres e que não servem para o consumo humano, como cachorro, gato, e outros animais que são sacrificados, muitas vezes para feitiços vis. Sou a favor da denúncia de quem mata cachorro e gato, por exemplo, que são os animais que mais sofrem com a ação de muitos zeladores para seus trabalhos.
Se virem denunciem para a proteção dos animais. “Ah, mas não estarei interferindo no livre exercer da crença e culto alheio?” A partir do momento que ele está interferindo e burlando nossas leis legais, temos o direito de denunciar. Porque maus tratos aos animais já foi aceito como crime em nosso país. Então qualquer animal que não sirva para o consumo e n seja igualmente sacrificado legalmente pelos abatedouros, em minha opinião, deve ser feita uma denúncia. Acho que vivemos em tempos de repensar muita coisa….Cultuamos a natureza, mas somos um dos primeiros a agredi-la e desrespeita-la. Como é isso? Como cultuar Oxossi, Yemanjá e sujar seus reinos sagrados com materiais não orgânicos que agridem o meio ambiente? Você gostaria que alguém fosse na sua casa, se servisse dela, e a deixasse suja, deixando lixo espalhados pela sua casa?

Pensem, repensem , reflitam….. Não se acomodem com o chip implantado na mente… não somos gado, nem ovelhas, somos seres pensadores e devemos buscar respostas, mas só quem vai buscar respostas, é quem pensa primeiro e tem uma pergunta, uma questionamento a fazer.

Se virem isso na rua, entendam… digo sem medo de ser feliz : Isso não é Umbanda!

Ana Araújo

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