HOMENS-LIVROS

HOMENS-LIVROS

– Por Wagner Borges –

O Universo é uma imensa livraria. A Terra é apenas uma de suas estantes. Somos os livros colocados nela.
Da mesma maneira que as pessoas compram livros, apenas pela beleza da capa, sem pesquisarem o índice e conteúdo do mesmo, muitas pessoas avaliam os outros pela aparência externa, pela capa física, sem considerarem a parte interna.
Outras procuram livros com títulos bombásticos, sensacionalistas, histórias de terror ou romances profundos.
Também é assim com as pessoas: há aquelas que buscam sensacionalismos baratos, dramas alheios ou apenas um romance profundo ou rasteiro.
Somos homens-livros lendo uns aos outros. Podemos ficar só na capa ou aprofundarmos nossa leitura até as páginas vivas do coração.
A capa pode ser interessante, mas é no conteúdo que brilha a essência do texto.
O corpo pode ter uma bela plástica, mas é o espírito que dá brilho aos olhos.
Também podemos ler nas páginas experientes da vida muitos textos de sabedoria.
Depende do que estamos buscando na estante.
Podemos ver em cada homem-livro um texto-espírito impresso nas linhas do corpo.
Deus colocou sua assinatura divina ali, nas páginas do coração, mas só quem lê o interior descobre isso.
Só quem vence a ilusão da capa e mergulha nas páginas da vida íntima de alguém, descobre seu real valor, humano e espiritual.
Que todos nós possamos ser bons leitores conscientes. Que nas páginas de nossos corações, possamos ler uma história de amor profundo.
Que em nossos espíritos possamos ler uma história imortal.
E que, sendo homens-livros, nós possamos ser leitura interessante e criativa nas várias estantes da livraria-universo, pois somos homens-livros, forever!
A capa amassa e as folhas podem rasgar. Mas, ninguém amassa ou rasga as ideias e sentimentos de uma consciência imortal.
O que não foi bem escrito em uma vida, poderá ser bem escrito mais à frente, em uma próxima existência, ou além…
Mas, com toda certeza, será publicado pela editora da vida, na estante terrestre ou em qualquer outra estante por aí…

P.S.:
Há homens-livros de várias capas e cores, mas Deus é o editor de todos eles.

(Este texto é dedicado aqueles homens-livros que sabem ler nas entrelinhas do brilho dos olhos e na luz de um sorriso a graça da vida em todos os planos.)

(Texto extraído do livro “Falando de Espiritualidade – Editora Pensamento – 2002.)

E ME VEJO A PENSAR… – III*

E me vejo a pensar…
Nas coisas que o Vento do Espírito traz…
E que só o coração sabe.

E me vejo a pensar…
Naqueles que hoje moram no Astral,
E que estão bem vivos!

E me vejo a pensar…
Nos sentimentos que viajam, algures…
E que tocam outros corações.

E me vejo a pensar…
No sorriso de Krishna, que me diz:
“Ninguém morre, pois o espírito é imperecível!”

E me vejo a pensar…
Naqueles que tombaram vítimas da violência,
E que também estão bem vivos, algures…

E me vejo a pensar…
Nos que não são capazes de amar,
E que, por isso, renegam a si mesmos.

E me vejo a pensar…
Naquelas Grandes Almas, que velam pelo mundo em silêncio,
E que nada esperam, só amam incondicionalmente…

E me vejo a pensar…
Naquilo que não vejo e só sinto…
E no que viaja além dos meus sentidos.

E me vejo a pensar…
Naquela Paz, que não é desse mundo.
E aí, lembro-me de Jesus.

E me vejo a pensar…
Naquele Amor, que não se explica…
Só se sente.

E me vejo a pensar…
Em você, que aqui me lê,
E que também sente algo mais…

E me vejo a pensar…
Em você, que, hoje, aqui está,
E que é meu irmão de jornada.

E me vejo a pensar…
Nos espíritos que aqui também estão,
E que também são nossos irmãos.

E me vejo a pensar…
Que há algo mais… Um amor. Uma luz.
E que é como um Sol espiritual.

E me vejo a pensar…
Nos bilhões de seres humanos desse lindo planeta azulado,
E que também são nossos irmãos de jornada.

E me vejo a pensar…
No Buda dentro do meu coração,
Que é o mesmo Buda dentro do seu coração.

E me vejo a pensar…
Que as palavras são tão limitadas para falar da Luz…
Assim como, nós somos crianças dentro do infinito.

E me vejo a pensar…
Naqueles que já partiram, e hoje moram lá em cima…
E que também estão aqui!

E me vejo a pensar…
Que neles, e em nós, está o mesmo Sopro Vital do Eterno…
Porque há algo mais… Um Amor. Uma Luz.

E me vejo a pensar…
Que tudo vale a pena, quando a alma não é pequena.
E eu não sei mais o que dizer…

E me vejo a pensar…
Que o Grande Arquiteto Do Universo também está aqui.
E que, quando o coração fala ao coração, não há mais nada há dizer**.

(Esses escritos são dedicados aos que continuam perseverando na jornada espiritual, com todo coração, e que se sentem ligados a um Grande Amor, que não se explica… Só se sente.)

Paz e Luz.

– Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma,
São Paulo, 13 de maio de 2011.

– Nota:
* As duas primeiras partes desse texto podem ser acessadas no site do IPPB – http://www.ippb.org.br -, nos seguintes endereços específicos:
Parte I – http://www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=2705
Parte II – http://www.ippb.org.br/textos/10049-1026-e-me-vejo-a-pensar-ii.html
** Esse texto foi feito um pouco antes do início de uma aula do curso de “Autodefesa Psíquica – Obsessão e Desobsessão Espiritual”, realizado no IPPB (com a presença de 200 pessoas). Enquanto o pessoal chegava ao salão, eu escrevia junto a uma mesa, e deixava fluir o impulso espiritual que me movia naquele momento. E o resultado são esses escritos, que, mesmo direcionados para o público presente, podem ser úteis também para outros estudantes espirituais. Então, estou disponibilizando-os em aberto para todos.
Obs.: Enquanto eu passava essas linhas a limpo, lembrei-me de um texto muito legal da escritora Adriana Falcão, sobre os sentimentos. Então, posto o mesmo na sequência.

OS SENTIMENTOS

– Por Adriana Falcão –

Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
Angústia é um nó apertado bem no meio do sossego.
Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento.
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer, mas acha que devia querer outra coisa.
Certeza é quando a ideia cansa de procurar e para.
Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que não exista.
Vergonha é um pano preto que você quer para se cobrir naquela hora.
Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja.
Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar um recado.
Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta aos outros.
Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas geralmente não podia.
Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.
Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
Paixão é quando, apesar da palavra “perigo”, o desejo chega e entra.
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.
Não… Amor é um exagero… Também não. Um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?
Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tenha explicação.
Esse negócio de amor, não sei explicar…

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