Papas de umbanda -1954 – mais atual impossível

Papas de Umbanda PDF Imprimir E-mail
Ter, 19 de Abril de 2011 22:42
Por Jaime S. Madruga

Quando a religião de Umbanda era considerada baixo espiritismo, quando as Tendas eram frequentadas somente por gente simples, quando os oportunistas ainda não tinham observado o potencial de força que ali estava em estado latente, nunca tivemos oportunidade de encontrar ninguém que se arvorasse em papa ou defensor da Umbanda.

Mesmo os que necessitavam de pedir caridade, iam às escondidas e negavam não só que acreditavam, mas os próprios benefícios recebidos.
Mas o movimento cresceu, tomou forma, chegando mesmo a assustar as religiões majoritárias e então começaram a surgir os papas, os pontífices, os evangelistas, os aproveitadores que criaram sessões de Umbanda como chamariz para manterem organizações de outros caracteres que secretamente combatem e ridicularizam essa religião sublime bela.

Apareceram organizações de caráter mesclado que pretendem codificar a Umbanda, aquela que resolveram ter como a verdadeira; que estilizaram a seu bel-prazer e dentro de suas conveniências, mesmo porque as verdadeiras entidades de Umbanda não aceitam patifarias, nem se prestam à mitificações ou negociatas.

Aos verdadeiros adeptos passaram a chamá-los de africanistas.

Livros surgiram para com capa de cordeirinhos bondosos e salvadores da humanidade, descreverem curas dantescas inspiradas no antigos sabats como passadas em terreiros de umbanda. Os títulos desses livros bem sugestivos e significativamente comerciais servindo e engodo para os de boa fé e comparem-nos.

São, portanto, múltiplas as formas de que se revestem os candidatos ao papado de Umbanda, tal como se dá com os candidatos a cargos eletivos de representação popular que nas épocas de eleições se convertem todos em umbandistas.

Entretanto, é preciso que fique esclarecido de uma vez por todas: na religião de Umbanda não há lugar para papas. Se há algum sumo pontífice, esse é nosso pai Oxalá, como seus sacerdotes são esses guias extra ordinários que chegam em formas humildes de caboclos, pretos velhos, crianças, exús… Os adeptos médiuns ou não são simplesmente instrumentos em suas mãos e não se mascaram absolutamente, mesmo porque quando algum por ignorância o vaidade se mascara, foge-lhe imediatamente esse dom.

Também não seria possível admitir-se uma religião sem dogmas como é a umbanda que tivesse papas, seria incoerência inominável e a derrocada de todos os seus princípios de religião cíclica com a missão de arregimentar a massa nesse último período de transição porque tem de passar o planeta, de acordo com as profecias milenares que todos os espiritualistas reconhecem como verdadeiras.

Portanto, umbandistas, é preciso que não nos deixemos iludir por falsos profetas. É mister que não cedamos nenhum ponto nesse sentido, pois Umbanda é uma religião moldada dentro dos princípios democráticos eternos, em que cada um de seus filhos pode progredir na escala ascensional da espiritualidade sem sofrer injunções dogmáticas e sem perder seu direito sagrado de pensar e sentir dentro de seu grau de evolução.

Tenhamos uma fé, mas não sejamos fanáticos, cultivemos a mística mas nunca deixemos de analisar à sangue frio e de raciocinar corajosamente sobre todos os mistérios e problemas que se nos apresentem, pois mistério somente o é enquanto não lhe alcançamos o sentido.

Sejamos aos menos criaturas humanas e não simplesmente animais racionais porque é necessário não parar.

O plano em que estamos se ressente justamente desse retardamento que é preciso recuperar a fim de podermos marchar com o planeta na sua marcha de progresso espiritual, portanto, não estamos mais em idade espiritual que nos deixe iludir com poderes temporais, cujo objetivo é retardar para dominar.

Somos seres livres e nosso livre-arbítrio não pode ser tolhido. Façamos nossas ligações dentro do amor universal, dentro da fraternidade pura, unindo os corações para obtermos forças de que muitos necessitamos para elevar a nossa mente até os níveis mais apurados da verdade.

Mas para tanto é preciso que não haja papas. Será que nunca podemos aproveitar senão a experiência alheia ao menos a que seja fruto da observação e da lógica? O Cristo há quase dois mil anos já afirmava que seu reino não era desta Terra, para nos ensinar que não lhe interessavam poderes temporais e para nos alertar contra os pontífices que estão sempre prontos a sacrificar até a própria vida de seus semelhantes contato que seus poderes prevaleçam.

Se não queremos ser tratados como escravos não nos deixemos subordinar pelos papados, pelos que mistificam com pseudo aparências para sugerirem aos ingênuos que são novas encarnações de espíritos já libertos para sua grande evolução das contigências da matéria.

Concluindo, não acreditamos em, nem aceitamos papas para a religião de Umbanda e não podemos deixar de vir a público fazer essa declaração porque não podemos pactuar nem mesmo pelo silêncio com essas manobras torpes para não sermos cúmplices desse monstruoso crime de lesa evolução.

Sem papas a religião estará preservada do erro dos homens pretenderem ditar leis para a eternidade, quais novos Prometeus, que como eles não poderemos dessa forma escalar o Olimpo da Espiritualidade.

Fonte: Jornal de Umbanda Nov/1954

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